Ave Sangria - Vendavais 2019 (Cd, Digipak)

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AVE SANGRIA RETOMA SEU VOO EM ‘VENDAVAIS’

A banda pernambucana revive os tempos de 'udigrúdi' com o segundo álbum, que teve de esperar 45 anos para ser gravado. Rock’n’roll e música nordestina continuam em diálogo


A música pernambucana – por que não dizer brasileira? – viu se “fechar a gestalt” do que ainda se ressentia em sua história. No capítulo que coube ao udigrúdi pernambucano, uma lacuna insistia em permanecer aberta, alimentando a imaginação e os sonhos de muita gente ao longo das últimas décadas sobre “o que teria sido”. Agora é: 45 anos depois de ser “abatida” em pleno voo, durante o regime militar, a Ave Sangria lançou, enfim, o seu segundo álbum, Vendavais.

O novo trabalho da banda – que se tornou uma entidade mitológica na música pernambucana – vem fazer justiça à história de Marco Polo, Almir de Oliveira, Paulo Rafael e, também, Ivinho, Agrício Noya e Israel Semente Proibida (os três últimos in memorian). A trajetória de sucesso que parecia se desenhar após o lançamento de Ave Sangria (1974) – revelando jovens recifenses que misturavam rock a elementos da música nordestina, e tinham um comportamento rebelde e provocativo em palco – foi abreviada por conta da censura que se impôs ao grupo a partir de questionamentos morais à canção Seu Waldir. O aguardado segundo disco da banda não veio e a história da Ave Sangria parecia ter se encerrado.

O hiato foi desfeito 40 anos depois, em 2014, quando os remanescentes da banda (Marco Polo, Almir, Paulo e Ivinho, ainda vivo) se reencontraram no palco do Teatro de Santa Isabel, no Recife, para reviver o antológico show Perfumes & baratchos. Diante da numerosa plateia que lotou o espaço, eles reacenderam uma faísca. O que seria apenas uma apresentação acabou rendendo shows Brasil afora, incluindo o do mega festival Psicodália 2015, em Santa Catarina. Foi nessa ocasião que se deu o estalo: a Ave Sangria retomaria sua história e daria vida ao seu segundo disco.

Em 2019, mais precisamente no último 26 de abril, Vendavais, enfim, veio ao mundo nas plataformas de streaming – será lançado também, este ano ainda, em CD e vinil (com recursos de uma bem-sucedida campanha de crowdfunding no Catarse). Da formação original, Marco Polo (voz), Almir Oliveira (voz e guitarra base) e Paulo Rafael (guitarra solo e viola) se juntaram aos jovens músicos Juliano Holanda (baixo e vocais), Gilú Amaral (percussão) e Júnior do Jarro (bateria e vocais) para construir, meticulosamente, o disco que teria a responsabilidade de dar continuidade à narrativa da Ave Sangria.

Capa com pintura do músico e artista Neilton

Vendavais foi produzido por Juliano Holanda e Paulo Rafael. E o que salta aos ouvidos, de imediato, é a presença clara do “espírito” Ave Sangria. As músicas trazem signos e traços muito nítidos da banda dos anos 1970. Linhas harmônicas e arranjos seguem, naturalmente, por esse caminho. E isso foi uma opção, afinal são canções da época, compostas entre 1969 e 1974, resgatadas especialmente para compor o álbum – com exceção da instrumental Em órbita, de Paulo Rafael, feita mais recentemente.

“Elas (as músicas) estavam guardadas, enterradas em Itamaracá, dentro de um baú de fitas”, brinca, em tom poético, Paulo Rafael. O reencontro com esse repertório foi possível graças ao garimpo feito por Marco, Almir e Paulo, em fitas K7 bem-guardadas e nas lembranças de cada um. “Todo esse repertório já tinha sido vivenciado na nossa intimidade, nos nossos ensaios, na curtição do nosso trabalho. Era algo que já estava introjetado na nossa memória afetiva. Foi um reencontro com algo que já estava dentro do nós”, conta Marco Polo.

De início, foram selecionadas 25 músicas. Já sob a batuta de Juliano Holanda, e para chegar a um repertório que coubesse no disco, uma nova seleção. “A gente tinha algumas ‘pedras de toque’, músicas que a gente sabia, de cara, que deveriam entrar. Mas, para a gente garantir uma unidade conceitual do álbum, fomos retirando algumas”, explica Polo. Os critérios de escolha eram, basicamente, estético e discursivo: letras que não fossem “datadas” e fizessem sentido no contexto atual, identificação estética com o que havia sido feito no primeiro disco etc. “Eles queriam fazer no segundo disco tudo o não fizeram no primeiro. Só que isso levaria a gente a um redemoinho de coisas e, talvez, a gente se perdesse. Então, desenvolvemos essa baliza (de escolha), que não era rígida, mas ajudou a não se perder”, revela Juliano Holanda. Chegaram, então, a 14 faixas. Onze entraram em Vendavais, enquanto outras três chegaram a ser gravadas, mas ficaram de fora do disco – Janeiro em Caruaru, Barrais, o grávido (composição de Israel) e uma versão de Marginal, com Ivinho na guitarra.
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