Cosmo Drah Trilha 2019 (Compacto, 7", Nacional, Hard Rock)

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O Cosmo Drah é uma banda vigorosa e obstinada em sua busca incessante para obter as melhores vibrações do Rock produzido em seu período de ouro, ou seja, o dito “Late 60’s/Early  70’s. 

Nesses termos, é bom que fique bem claro, para adotar tal predisposição artística, não basta apreciar tal estética. deixar o cabelo crescer e procurar figurino de época pelos brechós da cidade, tão somente, para que tudo saia dentro do esperado.

E nem mesmo saber tocar e cantar bem (esta, por sinal, é uma condição sine qua non para poder executar tal tarefa a contento), mas sobretudo, para quem aventura-se nessa determinação em soar dessa forma, é necessário ater-se em outros detalhes inerentes, tão vitais quanto, e acima de tudo, precisa capturar a essência dessas “boas vibrações” e isso não aprende-se em escolas, por tratar-se de uma capacidade anímica, que depende exclusivamente em estar sintonizado no ponto exato onde essa conexão possa ser estabelecida, ou melhor, restabelecida. 

Pois o Cosmo Drah tem essa capacidade, certamente e a cada trabalho que esse grupo lança no mercado, reafirma-se tal expressividade com adendos, pois além de tudo, trata-se de uma banda que apresenta um nível técnico e artístico, muito grande. 

O Cosmo Drah em ação ao vivo, no palco do Sesc Belenzinho em São Paulo, no ano de 2019, por ocasião do show de lançamento do seu novo compacto. Foto: Isabella Piantra

Eis que após o seu excelente CD inicial, homônimo, lançado em 2015, a banda apresenta mais duas canções inéditas e lançadas, sim, em formato de um compacto de vinil de 7 polegadas, nada mais vintage, portanto. 

Nesse compacto simples, denominado: “Trilha”, as músicas apresentadas são: ”Pense” (Contracorrente) e “Trilha”. Trata-se de dois exemplos clássicos de Hard-Rock, bem do início dos anos setenta, com grande desenvoltura instrumental e vocal em ambos os casos, e também a conter arranjos muito bem engendrados. Gostei muito da performance da banda, e da felicidade pelos timbres observados, um ponto de honra para quem envolve-se com sonoridade vintage, é bom frisar. E não obstante os membros da banda serem meticulosos nesse sentido e ostentar grande conhecimento técnico sobre áudio (os irmãos Amorim, por exemplo, mantém uma prestigiada oficina de Luthieria para instrumentos e consertos de amplificadores e acessórios em geral, na zona sul de São Paulo), o fato foi que obtiveram o apoio decisivo de dois técnicos de som que também são bons músicos, professam dos mesmos valores musicais e ambos, são detentores de avantajados conhecimentos técnicos, casos de Lennon Fernandes (captura e mixagem) e Renato Coppoli (masterização), portanto, o áudio com tal sonoridade ficou garantido neste trabalho. 


Sobre a capa principal, nota-se uma belíssima ilustração, assinada por Camila Kury. Trata-se de um pequeno caminho construído em pedras, cercado por uma vegetação exuberante e certamente a sugerir a ideia da “trilha” defendida pela banda. Gostei muito da opção da artista ao ter usado conceito do preto & branco, pois a despeito da cor ser a opção lógica e na suposição de que igualmente teria ficado lindo, pela certeza da representação lisérgica iminente, ao usar o conceito PB, a artista visual, trabalhou com as matizes sutis a envolver o prata e o grafite, além de ter observado com criatividade o uso de luz e sombra. 

a contracapa, existe uma bonita estilização do logotipo da banda, a envolver as fotos individuais dos seus componentes e uma ficha técnica sobre a produção do álbum, sucinta. O projeto gráfico ficou a cargo do genial artista plástico, Diogo Oliveira 

Sobre as faixas, tenho a observar mais alguns detalhes. Ouça a canção: “Pense” (contracorrente), enquanto lê o que tenho a dizer sobre ela. 

“Pense” (contracorrente) 



Gostei muito da levada inicial em um bem usado compasso sob fórmula 6/8, onde a pontuação rítmica dos três instrumentos primordiais, baixo, guitarra e bateria, mostrou-se extremamente bem encaixada. A aproveitar tal sutileza no arranjo, realçou-se os timbres respectivos dos instrumentos ao revelar-se excelentes, um adendo positivo a mais, portanto. 

Há uma parte B mais acelerada e que encontra-se alojada sob o clássico compasso em 4/4, o que garantiu um diferencial. Contém uma melodia dura, bem no padrão do Hard-Rock setentista, todavia, mostra-se muito boa e a observação dos backing vocals, muito oportuna. 

Sobre a letra, escrita pelo vocalista, Rubem Yanelli, em parceria com o baterista, Renato Amorim, o mote é em tom crítico, a abordar a dispersão das pessoas em meio a uma sociedade que massifica, mastiga e cospe as pessoas, a negar-lhes o direito a pensar e agir por si mesmas. Há um solo excelente de Anderson Ziemmer, gostei bastante do uso do Wah-wah.

"Trilha"



Muito bom o riff primordial, a dar início à canção. Gosto da desdobrada que só realçou a beleza da linha melódica, abrilhantada pelo bom uso da segunda voz, em harmonia. 

Adorei o fraseado da parte C, como ponte a abrir caminho para o solo (ótimo). Como não deixar de elogiar a parcimônia usada no tocante ao reverber geral? Uma gravação seca, sem aquela pasta indecente que conspurca o áudio, em contraponto ao que acostumou-se a chamar-se: “padrão Pop”, ou para deixar bem claro, o Cosmo Drah não busca esse caminho e... ainda bem! 

Palmas para a banda e para os técnicos, Lennon Fernandes e Renato Coppoli, por tal decisão sábia.
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