Eduardo Araújo / Glândula - Nem Sim, Nem Não (Compacto 7", RE, Imp)

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"Nem Sim, Nem Não" — Eduardo Araújo (1968)

Em 1968, o Brasil fervia: a Jovem Guarda dava seus últimos passos como movimento ingênuo, a Tropicália explodia nos festivais e o psicodelismo internacional atravessava o Atlântico. Nesse cruzamento exato nasce um dos compactos mais cultuados do rock brasileiro: "Nem Sim, Nem Não", de Eduardo Araújo, lançado em compacto simples pela Odeon — Lado A "Não Posso Dizer Adeus", Lado B "Nem Sim, Nem Não" (composição de Araújo e Chil Deberto), creditado a Eduardo Araújo & Os Bons. As prensagens posteriores pelo selo Discos Quilombo (DQ-012) — como a cópia fotografada — tornaram-se itens de caça entre colecionadores.

Mineiro de nascença, Araújo começara em 1958 e era tratado como "o rei do rock de Minas"; em 1966 havia lançado o cultuado "O Bom". Mas é nesse Lado B que ele entrega sua joia: um rock enxuto, sujo e hipnótico, em que o refrão de atitude ambígua — nem sim, nem não — serve de palco para uma das estreias mais decisivas da guitarra elétrica brasileira.

A estreia de Lanny Gordin

O momento mais famoso da gravação é também o mais teatral: no meio da música, Araújo grita "Mr. Lanny!" — e a guitarra de Lanny Gordin responde com um ataque de fuzz cru, longe do acabamento polido das produções da época. Aquela era, na prática, a estreia em disco do guitarrista — Araújo foi seu verdadeiro descobridor.

Nascido em Xangai em 1951, filho de pai russo e mãe polonesa, Lanny viveu em Israel até os seis anos antes de chegar a São Paulo, onde se apresentou ainda adolescente na casa noturna Stardust ao lado de Hermeto Pascoal e Heraldo do Monte. 1968 foi seu ano de revolução: além de "Nem Sim, Nem Não", gravou compactos selvagens de Suely & Os Kantikus e De Kalafe & A Turma, e em seguida virou a guitarra da Tropicália, tocando nos discos de Gal Costa, Caetano Veloso e Gilberto Gil. Lanny morreu em São Paulo em novembro de 2023, aos 72 anos — "Nem Sim, Nem Não" permanece como o documento do primeiro raio desse raio-parte.

A versão da Glándula (2025, Espanha)

A longevidade da faixa ganhou capítulo novo em 2025, quando o selo espanhol Discos Quilombo — lançou o compacto "Nem Sim, Nem Não / Ni Sí, Ni No" (DQ012), décimo segundo lançamento de sua linha brasileira. No Lado A, o original de 1968; no Lado B, a banda espanhola Glándula entrega "Ni Sí, Ni No", sua potente versão em espanhol da mesma canção.

A Glándula é liderada por Alberto Charro (Alberto Botias Arnau), fundador dos Los Malinches. Na regravação, o grupo deixa de lado os ritmos psicodélicos para resgatar o som da "new wave" que circulava por clubes e rádios da América Latina no fim dos anos 60 — uma leitura que troca o ácido do original por uma pegada mais dançante e orgânica, sem perder o espírito transgressor da composição.

O gesto é simbólico: quase seis décadas depois, uma banda ibérica reafirma que aquela guitarra gritada por "Mr. Lanny!" atravessou fronteiras — do estúdio da Odeon, em 1968, aos toca-discos da Espanha, em 2025.
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